segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Video Autismo em Bebês

BELO HORIZONTE (09/09/09) - A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) lançou nesta quarta-feira (9), no auditório do Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), em Belo Horizonte, o vídeo “Autismo em Bebês”, que explica sobre a doença além de contar com diversos depoimentos de pais e pacientes. Estiveram presentes o presidente da Fhemig, Luís Márcio Araújo Ramos, a diretora do HIJPII, Helena Maciel, o especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência e autor do vídeo, Walter Camargos Júnior, além de pediatras, profissionais de saúde e pais de crianças com diagnóstico de autismo que participaram do vídeo.
Na solenidade, antes da exibição do vídeo, o presidente da Fhemig destacou o compromisso da Fundação em prestar atendimento público de qualidade e parabenizou o psiquiatra Walter Camargos pelo seu trabalho. “O objetivo da exibição e distribuição do material é ajudar no diagnóstico precoce do autismo, garantindo melhor qualidade de vida a esses pacientes.” Para Helena Maciel, o material desenvolvido vai ajudar a disseminar conhecimento entre os 37 pediatras do hospital, contribuindo para melhor atendimento.
O médico e autor do vídeo enfatizou a importância do diagnóstico precoce como uma arma mais eficaz no tratamento da doença. Em alguns casos, o conhecimento logo aos primeiros sinais do problema não significa que o imediato cuidado médico é vital para o paciente, mas é esse diagnóstico precoce que irá garantir tratamento eficaz, melhorando a qualidade da vida e reduzindo significativamente diversos problemas mais graves. “As pessoas autistas que são tratadas e as que não têm comprometimento da inteligência estão aí convivendo com a gente e não sabemos”, ressaltou Walter Camargos.
Quando teve seu filho há 28 anos, a dona de casa Michele Malabi começou a perceber alguns comportamentos fora do padrão considerado “normal”. Desde então começou a sua luta para um diagnóstico correto. Ela levou seu bebê em vários pediatras e todos falavam que ele não apresentava nenhuma patologia. “Meu filho não respondia a estímulos, quando eu o chamava, não olhava e não correspondia” afirmou Michele. Somente quando a criança tinha 3 anos é que foi constatado o autismo. “Se o diagnóstico fosse dado mais cedo, meu filho teria se desenvolvido melhor. Hoje, apesar de já ter mais linguagem, ele não consegue ter concentração e lidar bem com frustrações”, desabafa Michele.
No início de outubro será inaugurado um ambulatório específico para atendimento de crianças com hipótese diagnóstica de autismo na unidade. As consultas serão reguladas pela Secretaria Municipal de Saúde. Os atendimentos de casos suspeitos de autismo já são prestados pela unidade.
A doença
Dados epidemiológicos demonstram que cerca de 60% das pessoas afetadas pelo autismo infantil já nascem com sinais da doença. Elas fazem parte do grupo onde a gravidade é maior, pois são acometidos, na grande maioria, por outras doenças médicas. “Dessa forma poderemos promover atuação terapêutica mais cedo e intensa o que reduzirá o custo social desse transtorno para o Estado e menor sofrimento à família”, finaliza.
O tratamento precoce do Autismo Infantil é basicamente realizado pelas equipes de reabilitação (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas) e dos profissionais da Educação. Por isso a importância em ampliar o conhecimento entre os profissionais da saúde para que tenham mais conhecimentos sobre a doença e possam indicar nos primeiros meses de vida um especialista na área para início do acompanhamento e tratamento do caso.
De acordo com o psiquiatra, o autismo tem início na infância, antes de 3 anos, quando ocorrem “mudanças químicas, neurológicas no processo orgânico”, não sendo portanto um “problema psicológico”. Outro fator que chama a atenção é que a síndrome afeta quatro homens para cada mulher. Ainda segundo o médico, o diagnóstico é através do exame clínico (consulta médica), não havendo exames laboratoriais ou de imagem que forneçam o diagnóstico. A doença compromete muito a capacidade de relacionamento da criança com outras pessoas. Segundo Walter Camargo, além da dificuldade em interagir, o autista olha pouco para as pessoas com quem conversa, possui comportamentos repetitivos, apresenta atraso na fala e tem pouca mímica e linguagem corporal. Estas características comprometem o desempenho familiar, escolar e no trabalho por causa dessa dificuldade de comunicação e relacionamento.
Estimativas internacionais mostram que a ocorrência da síndrome é de uma em cada 250 pessoas. Pesquisas demonstram o poder da herança genética, associada a outros transtornos neurológicos ocorridos ainda durante a gestação. Outras doenças neurológicas como meningite, epilepsia e traumatismo do crânio também podem gerar quadros de autismo infantil.

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