segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Viver Brasil

Estímulo à vida

A ideia de que os autistas vivem em um mundo só deles foi a primeira grande “verdade” que descobri ser uma verdadeira mentira já nas primeiras entrevistas com especialistas sobre o assunto.

Mas nada me impressionou mais do que notar como o amor da família pode realmente fazer diferença na vida de alguém com a síndrome. Percebi isso na manhã de uma terça-feira, quando fui pela segunda vez ao Centro Psíquico da Adolescência e Infância (Cepai) conversar com a fonoaudióloga Érica Fornero. No dia anterior, ela havia dito que me apresentaria um adolescente diagnosticado com autismo que tinha progredido muito a partir de terapias multidisciplinares e do apoio da família. Foi assim que conheci o Eduardo Corrêa, pai do Alexandre, de 15 anos.

Até aquele momento, eu ainda não tinha noção do quanto esse apoio familiar tinha sido essencial para que aquele garoto se tornasse o jovem que é hoje: bonito, carinhoso, afável e muito inteligente! E não pense que as conquistas que ele obteve se devem a gastos vultosos da família (muita gente acha isso). Não. Conversando com o Eduardo, soube que ele passou anos a fio tentando descobrir formas mais apropriadas de ensinar o filho a ler (e conseguiu).

Houve momentos em que esse pai pensou em desistir? Com certeza. Ensinar um autista a ler não é tarefa fácil e não precisei entrevistar dezenas de personagens para perceber as limitações que o transtorno impõe. Mas Eduardo persistiu e, mesmo após conseguir o que queria, não parou. Também ensinou o filho a andar de bicicleta sem o auxílio de rodinhas (nos finais de semana não é difícil encontrá-los juntos pedalando pelas ruas de Sete Lagoas). E é incansável quando se trata de levar Alexandre para as aulas de equitação, que acompanha de perto, sempre com um sorriso no rosto.

Agora, o sonho desse pai é ver o filho conquistando mais e mais autonomia. E do jeito que ele conduz as coisas, vai conseguir. Por quê? Porque Eduardo nunca ficou limitado ao sonho, nem se deixou desanimar pelas inúmeras barreiras que encontrou no caminho. Ele sabe que todo o progresso conquistado por Alexandre é resultado de muito esforço, de muita persistência e que é preciso seguir adiante. Foi a maior lição que pude tirar dessa matéria. Com certeza, aprendi muito sobre autismo, mas, acima de tudo, aprendi que o amor é realmente capaz de transformar vidas...
Elisângela Orlando
Matéria: http://www.revistaviverbrasil.com.br/materia_01.php?edicao_sessao_id=499
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