quinta-feira, 23 de junho de 2011

E por que não o Brasil!, somos 1/5 em relação a Suecia, são 2 milhoes de Autistas!!

Editorial Junho/2005 Panfleto Autismo Brasil


Intercâmbio Brasil-Suécia

Com menos de 10 milhões de habitantes, a Suécia é pobre em recursos naturais. Sua grande riqueza vem sendo ao longo dos anos a construção e a consolidação de instituições fortes que assegura a justiça social, distribuição de renda, igualdade de oportunidades, tolerância em relação às diferenças. A construção de um Estado de Bem Estar Social assegura a todos saúde, educação, segurança, justiça, etc. de alta qualidade.
Sobre esses alicerces forma-se uma força de trabalho altamente qualificada que gera riquezas: tecnologia, produtos e serviços de excelência. A renda per capita é de US$ 25.000/ano, 3% do PIB é investido em pesquisas. Tudo isso tem um custo; impostos, o mesmo tanto que pagamos no Brasil sem retorno algum. O que isso tem a ver com autismo? Tudo, como vocês verão a seguir.
Gotemburgo é a segunda maior cidade da Suécia, com 500 mil habitantes. Fundada em 1.621, é mais jovem que São Paulo. Em sua universidade, num apêndice do Hospital Escola Rainha Sílvia, fica a Clínica de Neuropsiquiatria Infantil onde trabalham mais de 15 profissionais (psiquiatras, neurologistas, psicólogos, psicopedagogos, enfermeiros,...) sob a direção do professor Christopher Gillberg e do doutor Peder Rasmussen, referências internacionais no que diz respeito à investigação, pesquisa e tratamento de indivíduos portadores de autismo.
Imersão total durante uma semana na rotina da clínica, acompanhamento de
atendimento a pacientes e seus familiares, participação de reuniões clínicas e
administrativas, seminários, encontros com os profissionais da equipe, troca de informações e experiências. Visitas a instituições especializadas, clínicas odontológicas, escolas, recursos da comunidade. Conseqüência da experiência: as inevitáveis comparações e um contundente insight.
Todas as necessidades desses pacientes e familiares são atendidas, desde transporte, tratamentos, educação, até o lazer, e nada é gratuito, é simplesmente o retorno em serviços dos impostos pagos pelos contribuintes.
Afinal, o que acontece como o Brasil? O insight: a recepção genuinamente calorosa e a disposição de colaboração por parte dos suecos faz lembrar aquele avô sábio e tolerante com seu neto adolescente, imaturo, irresponsável e com o comportamento “meio disruptivo” (o Brasil).
Esse avô aposta no seu neto, investe, torce por ele, acredita que ele vai dar certo, não acha que se trata de um caso perdido.
Como uma nação adolescente, não temos uma consciência social amadurecida, não exercitamos a cidadania o suficiente, não nos damos conta de que o governo somos nós, o Estado é aquilo que fazemos dele. O destino está em nossas mãos. Isso faz toda a diferença para os autistas, suas famílias e a comunidade.

Estevão Vadasz
Psiquiatra, Coordenador do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Sepia-IPq-HC-SP)

Um comentário:

  1. Como seria bom se ouvesse politicas públicas mais eficases que garantissem melhor atendimento a todos os portadores de transtornos no Brasil, garantindo a eles um melhor desenvolvimento de suas habilidades. Será que tem alguém (politico) disposto a abraçar essa causa?

    ResponderExcluir