domingo, 25 de março de 2012

Jornal Folha de Contagem AUTISMO

Autismo: mal atinge mais de um milhão de brasileiros

Mesmo cercados por um mundo de luzes, cores e sons, os portadores de Autismo vivem em seu universo particular. Razão pela qual as pessoas que não têm conhecimento sobre o tema, tratem o problema como um tipo de transtorno mental, em lugar de procurar entender o caso, e se interessar em ajudar os portadores do mal e seus familiares.

O autismo é uma síndrome cientificamente conhecida como Transtornos Globais do Desenvolvimento - TGD, que atinge milhares de pessoas em todo o planeta. De acordo com dados de dezembro de 2009, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças - CDC, dirigido pelo governo dos Estados Unidos e ONU, devem existir mais de 70 milhões de pessoas afetadas pelo autismo no mundo, ou seja, um caso a cada 150 habitantes.

Síndrome

Ainda de acordo com os dados revelados, os meninos possuem mais propensão de ter a doença do que as meninas. E os estudos realizados no Brasil, pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, através do Projeto Autismo, revelam que aproximadamente 1milhão de brasileiros são acometidos pelo mal.

Normalmente, o autismo manifesta-se nas crianças por volta dos três anos de idade. Em Contagem a dona de casa, Josy Silva, de 32 anos, descobriu que o filho, 'R.', de 5 anos, é portador da síndrome, mas que, até completar um ano e quatro meses, a criança era sadia e normal. Segundo ela, a doença começou a se manifestar após sofrer um Acidente Vascular Cerebral - sendo obrigada a ficar um período longe do filho. "Foi exatamente depois deste fato, que começamos a observar que o comportamento do meu filho estava mudando; ele ficava batendo em um mesmo lugar e não prestava atenção no que falávamos com ele", revelou Josy.

O diagnóstico da doença não é fácil e muitos pais demoram a notar ou não querem aceitar que algo está errado com o filho. A psicóloga, Maria Cristina Machado, que há 30 anos atende pacientes acometidos pelo autismo, ressalta que é comum escutar queixas dos pais de que 'meu filho não fala', ou, 'ele parece surdo, desligado'.

A psicóloga alerta que os pais, ao diagnosticar o problema no filho, não devem procurar um culpado pela situação e sim um tratamento adequado e entender a situação. "Se os pais notarem os sintomas do autismo na criança, devem levá-la a um psiquiatra infantil, que é o profissional habilitado para diagnosticar e tratar do transtorno", disse Maria Cristina.

Sinais

De acordo com a psicóloga, uma das principais características da síndrome, e que deve ser bem observada, são os movimentos repetitivos com o corpo, principalmente, com as mãos, a aversão ao toque, apatia e dificuldade de manter o contato olho no olho. Mas há outras situações que podem caracterizar o autismo: "crianças de 1 a 3 anos que não falam, têm hipersensibilidade aos sons, só fala por meio da repetição de frases que ouviu, que se isolam constantemente, têm fascinação por água, irritação ou agressividade quando são contrariadas", relacionou.

Ainda segundo a psicóloga, alguns estudos já mostram que existem casos mais graves e, em geral, associados ao retardo mental, e que muitas vezes passam despercebidos até pelos médicos. Eles constituem entre 20% a 30% dos autistas; que são pessoas inteligentes, capazes de falar e com alto potencial de aprendizado. Nesta situação mais agressiva, os pacientes são classificados como portadores da síndrome de Asperger.

Brasil pode ter legislação pioneira

No país ainda se tem uma tímida atenção das autoridades e governantes para a criação de políticas de saúde pública para o diagnóstico e tratamento do Autismo, o que leva, naturalmente, ao baixo incentivo para pesquisas e estudos para entender a real situação e mapeamento da doença no país, em como uma estrutura de atendimento.

De acordo com os especialistas, como em outras doenças, quando mais cedo o mal é diagnosticado, pode-se oferecer melhor qualidade de vida aos portadores deste transtorno. Neste sentido, já tramita no Congresso \nacional, mais precisamente no Senado Federal, o Projeto de Lei Nº 2702/2009, que propõe a criação do Sistema Nacional Integrado de Atendimento à Pessoa Autista, que seria integrado ao Sistema Único de Saúde - SUS.

Caso o projeto, que tem como relator o senador Paulo Paim (PT-RS), seja aprovado e se transforme em Lei, será uma das primeiras legislações no mundo a tratar o autismo como caso de saúde pública, incluindo cadastro, capacitação de profissionais de saúde, criação de centros de atendimento especializado, além da inclusão do autista no grupo das pessoas portadoras de deficiência.

Apoio

Como o SUS, ainda, não possui um atendimento especial aos portadores de autismo, várias unidades de prefeituras atendem as famílias dos pacientes para orientação. Em Contagem quem precisar de apoio e informações sobre o assunto podem procurar o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil - CAPSI, que funciona na Rua Joaquim Camargo, 47, no Centro de Contagem. Mas é bom lembrar que o profissional ideal para fazer a avaliação e diagnosticar a doença, é um psiquiatra.

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