quarta-feira, 25 de abril de 2012

Jornal Folha de Sabará

13 DE ABRIL DE 2012
SOCIAIS - DIA DO AUTISMO
 

O Mundo particular em que vivem as crianças Autistas

No último dia 2, comemorou-se o Dia Mundial do Autismo, transtorno de desenvolvimento, do qual poucas pessoas ainda têm o devido conhecimento. O autismo é um distúrbio da comunicação e da socialização que pode desenvolver em crianças de até três anos, mas que ainda não tem cura. Popularmente, se diz que a pessoa autista “vive no próprio mundo” e, segundo a pedagoga da APAE de Sabará, Cristina Ferreira, essa afirmação é correta: “Os outros costumam dizer isso porque o autista tem dificuldade de comunicação, se isola, não olha para os olhos das outras pessoas, além de apresentar outros maneirismos”.
Segundo a pedagoga, ainda não há uma explicação médica sobre o que ocasiona o autismo. Há alguns casos em que a criança nasce normal, sem nenhum distúrbio e, até os três anos, fase em que começa a interagir com a família, ocorre esse bloqueio no cérebro. “Temos uma criança aqui, que a mãe relata ter vídeos do filho com um ano jogando bola com o pai, correndo, gritando ‘gol’ e do nada se isolou. Um menino bonito, que se você vê-lo não percebe que tem algo diferente, mas que vai ser assim pro resto da vida”, relata.
É comum os pais de crianças autistas não saberem lidar, em um primeiro momento, com o diagnóstico recebido pelos médicos e se isolam, por falta de conhecimento. A APAE faz um trabalho com esses pais, para ajudá-los a lidar com a situação. “Como lidamos com crianças novinhas, damos orientações para os pais, que se sentem muito culpados, questionam em que erraram, e tentamos mostrar como fazer o tratamento e ensinamos a eles como darem uma continuidade em casa”, explica Cristina.
A APAE oferece, ainda, um tratamento especial para as crianças autistas que freqüentam a instituição, que faz um trabalho de pedagogia, terapia ocupacional e com fonoaudióloga. Segundo Cristina, a fonoaudióloga trabalha a comunicação alternativa, uma vez que a criança não se expressa oralmente. Para se comunicarem, são utilizados cartões com ilustrações e, através disso, ela aprende a estabelecer uma rotina e uma comunicação.
O trabalho da APAE Sabará com os autistas teve início em 2010. “Passamos um ano tentando montar uma sala organizada exclusiva, para estarem bem estruturados. Fizemos uma mudança de professores e agora está tudo direitinho”, diz a pedagoga.
No momento, a escola conta com quatro crianças, no turno da tarde. De acordo com a professora Vânia da Costa, não são realizados trabalhos em grupos com os meninos, e sim individual. A sala é dividida em boxes para separar os trabalhos. Os meninos respeitam que tem outro no mesmo ambiente, mas não interagem. “Os programas das atividades com eles sempre mudam também. Temos que sempre adaptar de acordo com a forma com que eles estão no dia”, explica a professora.
Sobre o preconceito com autistas, a pedagoga Cristina lamenta ainda existir e reforça o seu pensamento sobre a inclusão: “Existe preconceito porque essa criança tem um comportamento que gera estranheza para parte da sociedade. Mas há autistas que até mesmo passam despercebidos. Elas não têm nenhum retardo que prejudique o convívio com outras crianças, apenas se socializam de maneira diferente” conclui.

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