domingo, 15 de abril de 2012

Jornal O Tempo - Educação

A um toque
Uso de dispositivos touch screen em salas de aula melhora a aprendizagem e auxilia no tratamento de crianças com autismo 13/4/2012
LETÍCIA SILVA
Quando educação e tecnologia se fundem em algum tipo de projeto psicopedagógico, os resultados são, quase que em sua totalidade, muito positivos para os alunos. Um exemplo satisfatório dessa fusão é o uso de interfaces touch screen para facilitar a aprendizagem. O documentário “I Want To Say”, por exemplo, aborda a rotina de famílias que conseguiram se aproximar mais de seus filhos autistas quando essas crianças começaram a utilizar aplicativos em interfaces touch para se expressar.
O autismo, segundo a psicóloga infantil comportamental Jéssica Fogaça, é uma disfunção global do desenvolvimento que afeta principalmente a comunicação, os relacionamentos interpessoais e a relação com o ambiente. Os sintomas mais comuns são: poucas interações sociais, habilidades de comunicação não desenvolvidas, comportamentos, interesses e atividades repetitivos. Pesquisadores afirmam que uma em cada 88 crianças tem algum transtorno relacionado ao autismo e que, em 2012, mais crianças serão diagnosticadas com autismo do que com AIDS, diabetes e câncer somados. Em um dos depoimentos do documentário, a mãe de uma criança autista conta uma experiência marcante. “Ela disse pra gente o quanto nos amava. Nós conhecemos nossa filha naquele dia”, afirma. O documentário ainda não foi lançado oficialmente, mas é possível assistir a fragmentos pelo Youtube. A psicóloga afirma que o uso desses recursos ajuda a despertar o interesse das crianças com autismo na escola, facilitando a aprendizagem e auxiliando no tratamento. “As interfaces touch screen são mais fáceis de serem manuseadas pelas crianças e despertam o interesse. Tudo que pode virar um atrativo ajuda no ensino da criança autista, pois serve para estimulá-la a se desenvolver e a aprender novos comportamentos”, explica.
Mas não só para crianças autistas ou com algum problema de aprendizagem é voltada este tipo de tecnologia nas escolas. “As crianças hoje em dia estão cada vez mais tecnológicas e adoram estar em contato com novos aparelhos eletrônicos. O uso de interfaces touch screen é um incentivo a mais para despertar o interesse dos jovens estudantes, além de trabalhar bastante a questão motora”, defende Fogaça. Em Belo Horizonte diversas instituições, principalmente na rede particular, estão implantando este tipo de interface e utilizando como ferramenta para as aulas. O Colégio Cotemig possui duas salas com lousas sensíveis ao toque. Uma em cada unidade, que foram instaladas há três anos e são bastante utilizada pelos professores. O professor que mais utiliza a ferramenta é da disciplina de Filosofia: a lousa touch screen é vista como estratégia para interagir mais com os alunos e tornar os temas abordados pela matéria mais interessantes. No colégio ICJ, há uma sala especial para este tipo de aula, que é utilizada por todas as turmas e séries. O uso da estrutura varia de acordo com o conteúdo programado pelo professor. “Para o ensino infantil, por exemplo, os professores exploram muito os aspectos visuais, no ensino fundamental, são atividades lúdicas e interativas. Já para o médio, a disciplina que mais usa é literatura, para tornar as aulas mais dinâmicas e envolver conteúdo intertextual”, afirma a assessoria da instituição de ensino. A escola de idiomas Number One também possui este equipamento em algumas de suas unidades e, segundo Laura Catão, coordenadora e professora da unidade Nova Suissa, a técnica é usada há cerca de três anos e está presente em 40% das salas. “O professor pode trazer mais material sobre o assunto da aula, enriquecendo bem a dinâmica com vídeos e com imagens”, explica.
Laura Catão durante aula em uma unidade do centro de idiomas Number One
A aceitação da tecnologia é ainda maior em aulas que costumam ter menor interesse dos alunos, por serem muito teóricas. Segundo o professor de história do ICJ, Reinaldo Neves, o uso da lousa aumentou o interesse dos alunos na disciplina. “Eu utilizo [a lousa] para passar imagens relacionadas à aula. O resultado é excelente, pois o fato histórico está muito longe do aluno, com as imagens ele tem mais facilidade de guardar”, explica o docente, que leciona para alunos entre 15 e 16 anos. “Eu acredito que [a aprendizagem] melhora muito”, afirma o estudante Pedro Nascimento, 15 anos, que cursa o 1° ano do ensino médio, do ICJ. “Na lousa temos um esquema com abordagens que tornam a aula mais interessante”, conclui. Positivamente também avalia o professor Luciano Gomes dos Santos, que leciona Filosofia no Cotemig há oito anos. “Acho que [a lousa] mudou muito a percepção da minha aula e ajudou a aproximar mais o aluno do conteúdo”, afirma o professor.

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